Diário de Heloisa S. Ferreira

06 April 2013


Gosto muito de um trecho do livro Noites Brancas, de Dostoievski, que diz assim: " Para mim as casas são velhas amigas. Quando passeio, cada uma delas parece correr ao meu encontro na rua..."

Nós que trabalhamos no universo da decoração e arquitetura naturalmente lançamos um olhar diferenciado para as casas. É realmente como se elas corressem ao nosso encontro. Lançamos um olhar que vai além do meramente gosto ou não gosto. É um olhar que sabe reconhecer a beleza de um estilo mesmo quando o mesmo não é o nosso preferido.

Quando lançamos um olhar para uma casa, o fazemos projetando uma visão carregada de estética, história da arte, paisagismo, estudo, ética, cor...

Quando lançamos um olhar para uma casa já começamos a imaginar seus moradores, várias estórias, conflitos, sonhos e esperanças.

Talvez seja por isso que me causa tristeza quando vejo uma casa abandonada, engolida pelo mato, ruindo... Uma casa abandonada remete a sonhos descontruídos, amores desencontrados, lugar perdido...

Sim as casas correm ao nosso encontro! Elas também nos espiam, nos olham através das portas e janelas. Nos oferecem flores por cima dos muros... nos desafiam e nos seduzem a ponto de no final de uma obra ou de um projeto concluído já não sabemos mais distinguir se nós as modificamos ou se foram elas, as casas, que nos modificaram com suas histórias.

Sim as casas correm ao nosso encontro...

( Autoria: Heloisa S. Ferreira / HeloisaSF. )

  

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